Whaaaaattttttt!!!!!???? Hahahahha
Minha primeira esposa e eu fomos de lua-de-mel para os EUA, iríamos passar alguns poucos dias em Nova York e outros em Chicago. Em Nova York iríamos ficar na casa de uma “amiga-de-uma-amiga” da minha esposa. E em Chicago ficaríamos na casa de outra grande amiga da minha esposa. E essas estadas com essas pessoas foram ótimas e muito agradáveis e divertidas. Nessa época meu vocabulário em inglês se restringia a “yes, no, black, white e hot-dog” eu não conseguia me expressar em nenhum nível, mas eu não sabia disso e sentia uma falsa sensação de confiança. A minha esposa na época (minha primeira esposa) tinha estudado formalmente inglês e morado na Nova Zelândia, ela falava inglês fluente. E como sempre estávamos juntos nessa viagem, eu algumas vezes iniciava a conversa com algumas das pessoas que interagíamos (vendedores de lojas, garçons, etc) e quando a comunicação começava a degringolar ela entrava em campo salvando a situação e resolvendo todos os problemas.
Porém eu com meu falso senso de confiança devido a assistência regular dela durante toda a viagem, resolvi ir sozinho tomar meu café da manhã na rua. Estávamos em Chicago e a nossa anfitriã morava num edifício enorme e muito alto chamado Lake Point Tower que fica bem em frente ao Navy Pier que é um centro cultural que engloba parque de diversão, centro gastronômico e shopping center e entre outras coisas uma marina para grandes barcos que levam os turistas para passear no lago Michigan, e é um dos pontos turísticos bem populares de Chicago. Eu estava com vontade de comer algo, mas elas estavam com preguiça de descer e botando o papo em dia com a sua amiga e nossa anfitriã porque elas não se viam há bastante tempo. Então fui sozinho. Desci o elevador e cruzei o pequeno parque que separa o Lake Point Tower do Navy Pier entrei pela porta principal e procurei a lanchonete onde seria mais fácil pedir um café da manhã. Ainda estava muito cedo e a maioria das opções de lugares para comer ainda estavam fechadas. Então por falta de opções fui ao McDonald 's, que estava com filas enormes porque era uma das únicas opções que já estavam abertas. Entrei na fila e senti a tensão das pessoas arrumadas para irem trabalhar com os homens de barbas feitas com gel no cabelo penteado formalmente e as mulheres maquiadas e com seus cabelos organizados, todos com pressa. E a fila andou rápido e chegou a minha vez e não me lembro exatamente o que pedi em inglês para a atendente, que lembrava a Tracy Chapman porém cinco vezes mais gorda e tinha uma voz que parecia sair de um amplificador instalado dentro dela, e ela respondeu “WHAT!!??” que me intimidou e eu repeti bem mais inseguro… e ela de novo “WHAT!!!!!???” Nessa segunda vez o “what” dele reverberou dentro do meu diafragma e seguindo de um frio na barriga e a fila de apressados atrás de mim me pressionando também e comecei a suar… Aí já quase grunhindo de tão envergonhado repeti o que eu queria e ela sem pena respondeu com sua voz de megafone “WHAT!!!!!!!!!!!!!???????????” Nesse momento com meu rosto vermelho e tentando imaginar como sair daquela saia justa e com uma fila enorme atrás de mim querendo me “matar”. Estava cogitando sair correndo dali sem comprar nada mas seria um golpe na minha autoestima mais duro, mais do que aqueles que a Mc-Big-Tracy-Chapman estava me dando. Aí numa última tentativa apontei para qualquer uma das fotos no painel luminoso e ela pela primeira vez disse algo diferente de “what” que presumi que era a confirmação para onde eu tinha apontado e mesmo sem entender nada do que ela falou respondi “YES” e ela pegou a nota da minha mão e me deu o troco e foi recolher meu pedido, pedido esse que eu não tinha a menor ideia o que seria. No momento do meu “yes” fui sentindo a tensão começar a dissipar mas só relaxei mesmo depois que peguei o meu saco de papel pardo do Mcdonalds com algo dentro e saí do raio da visão daquela mulher. Sentado numa daquelas mesas de praça de alimentação fui checar o conteúdo do saco, não era o que eu queria mas matou a minha fome naquela manhã.
E nesse dia em Chicago eu ainda tinha 27 anos e jurei que iria aprender falar Inglês. E aprendi :-)


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